AMOR INÉDITO (colectânea de poemas de Fernando Henrique de Passos)
À Teresa
NÃO CONTES OS ANOS, OS ANOS NÃO CONTAM
O tempo passa por ti
E vais ficando mais bela.
Fosse eu ao menos pintor,
P’ra te pôr na minha tela!
O tempo passa por ti
E és cada vez mais amiga.
Fosse eu um compositor,
P’ra te pôr numa cantiga!
O tempo passa por ti
E cresce a tua brandura.
Fosse eu um grande escultor,
P’ra te pôr numa escultura!
O tempo passa por ti
E espalhas mais alegria.
Fosse eu ao menos poeta,
P’ra te pôr nesta poesia!
9/8/2008
Y
NO 20 DE JULHO* DE 2008
Ao fundo da noite
Há uma lanterna.
“Ó luz vacilante,
É a noite eterna?”
E responde a luz
Do fundo das trevas:
“Na tua viagem,
Quem contigo levas?”
“Viajo sozinho.
Só por companhia
Levo o meu passado
E de hoje a agonia.”
“Assim te perdeste.
Mas encontrarás
Hoje uma mulher
Com quem vencerás.”
“Como a reconheço?
Como sei que é ela?
Responde-me, ó luz,
Ó paz na procela.”
“É ela a que tem
No sereno olhar
Esta mesma luz
Que em mim vês brilhar…”
20/7/2008
*Quinze anos depois do nosso
encontro na Gulbenkian,
recordando a tua luz,
que nunca mais deixou
de me acompanhar.
Y
NO 14º ANIVERSÁRIO DO NOSSO CASAMENTO
O tempo é nosso aio,
A noite é tua dama de honor.
Os invejosos olham de soslaio
Cada minuto do nosso amor.
O tempo é a altura
De onde olhamos a vastidão que nos rodeia.
E é sempre altura de nos lançarmos no mar à aventura.
E é sempre maré-cheia.
(E cortamos as ondas de mão dada
E o mar inteiro é a nossa estrada.)
O tempo é nosso serviçal,
A noite é nossa camareira.
A nossa vida é sempre nupcial,
E o nosso amor é para a vida inteira.
19/2/2008
Y
O ANEL MÁGICO
Quando pus o anel na tua mão,
Brilhou mais do que o sol de qualquer Verão.
A luz que derramou sobre nós dois
Foi magia nessa altura e bem depois.
Esse anel ainda é como um farol
A brilhar mesmo quando não há sol.
Uma jóia fabricada só com luz,
Permanente clarão que nos conduz.
Brilha mais quando a noite é mais escura.
(E é quando sua luz fica mais pura…)
E com sua perpétua claridade
Iremos juntos pela eternidade…
5/11/2007
Y
UM SIM PARA A ETERNIDADE
Há catorze anos disseste-me sim.
A tua palavra ainda vibra em mim.
E hoje nas horas em que há desalento
Posso encontrar forças naquele momento.
Posso encontrar forças nesse dia bom,
Rever sua luz, teu sim e seu som.
Mas porquê viver de recordações
Se vivem tão juntos nossos corações?
O teu sim revive cada novo dia,
Cobre de doirado a nossa alegria.
Mas faz bem lembrar o dia bendito
Em que abriste as portas para o infinito!
29/10/2007
Y
TREZE ANOS DE CASADOS
Pois o décimo terceiro
Ano deste casamento
Chegou agora ao seu fim
E não foi nada agoirento.
Se se diz que o número treze
É o número do azar,
Connosco não foi assim:
O treze veio ajudar.
Ajudou porque sofremos
Mas soubemos resistir.
E quando dois sofrem juntos
O sofrer só faz unir.
Bendito, pois seja o treze,
E que venham novos dias
Que passemos sempre juntos
Com penas ou alegrias.
18/2/2007
Y
DIA DOS NAMORADOS DE 2007
É Dia dos Namorados,
Dia de S. Valentim!
Olho p’ra todos os lados,
Só te vejo a ti e a mim!
Bem sei que somos casados,
Mas vamos a um jardim
Tal como dois namorados
A trocar beijos sem fim!
A paixão e a ternura
São as mesmas do começo
Da nossa bela aventura!
Vejo-te sempre mais bela
E dia a dia envaideço
De seres a minha donzela!
14/2/2007
Y
NATAL PASCAL
Temos um dia só nosso,
Um dia que é especial.
E até acho que posso
Chamar-lhe o nosso Natal.
Eu estava muito doente,
Estava mesmo muito mal.
Tu foste a presa inocente,
Foste o Cordeiro Pascal.
Pores este dia na agenda,
Foi prenda celestial.
Foi a antecipada prenda,
Dias antes do Natal.
E mudaste o meu destino,
Que era um destino fatal,
Pouco antes do Deus Menino
Festejar o seu Natal…
11/12/2006
Y
CERTEZAS
Existo.
Estou aqui.
Sob Cristo
E ao pé de ti.
Ando.
Não estou parado.
E, caminhando,
Por certo chegarei a algum lado.
Vou prosseguir,
Mesmo com dor.
O que pode ela
Perante a força
Do nosso amor?
4/12/2006
Y
O SENHOR DO ANEL
Combatia contra monstros e dragões,
Desconhecendo a razão do seu combate.
Já à beira do fim, do xeque-mate,
Deu por si em frente de uns portões.
Decidiu abri-los, e entrou
Num bosque denso e encantado.
Desfez-se da espada e, desarmado,
Pelo denso bosque caminhou.
Avistou por fim uma casinha
E um vulto recortado na janela.
Chegando perto, viu que era uma donzela
E percebeu “Tem de ser minha”.
Viu um anel caído entre o folhedo,
A brilhar como um astro esquecido.
“Com ele jamais serei vencido”,
Pensou, ao pegar-lhe a medo.
Dirigiu-se à donzela que, afinal,
Não esperava outro senão ele.
Colocou-lhe no dedo o belo anel,
Beijou-a à luz de uma aurora boreal.
Voltaram juntos aos caminhos do Mundo,
Combatem ainda monstros e dragões.
Anima-os a força de um amor profundo
E agora conhecem todas as razões.
4/11/2006
Y
HÁ TREZE ANOS
Na Nau dos Corvos
Há treze anos
Nós embarcámos.
E, desde então,
Juntos fendemos
Os oceanos.
Com tempestades,
Ou com bonança;
Tanto nos faz:
Nada desfaz
Esta aliança!
Louca aventura,
Ventura a dois,
Amor sem fim,
Desde esse dia,
Desde o teu sim!
28/10/2006
Y
9 DE AGOSTO DE 2006
É nove de Agosto
E estou bem disposto
Porque é o teu dia.
Para celebrar
Eu vou-te acordar
Com esta poesia.
Há já luz lá fora
A louvar a hora
Que te viu nascer.
Olho para ela
E abro a janela
Para a oferecer
À mais doce amiga
Que este mundo abriga
E é tu, minha flor!
Repitam-se os dias
Cheios de alegrias
E cheios de Amor!
9/8/2006
Y
ENCONTRO ABENÇOADO
O dia era de Verão
Quando nós nos conhecemos.
Já passaram treze anos
Mas nem que passem trezentos
Algum dia o esqueceremos.
O dia era de Verão,
Só podia ser assim.
Encontrámo-nos no bar
Mas como o sol nos chamava
Subimos logo ao jardim.
O dia era de Verão,
No ar o odor de alfazema.
E as peças do destino
Começavam a juntar-se
Como os passos dum teorema.
Havia no céu sorrisos,
Risos brotavam do chão.
Toda a alegria do mundo
Nos juntou pra toda a vida
Porque o dia era de Verão.
20/7/2006
Y
DOZE ANOS DE CASADOS
Pensei oferecer-te um poema neste dia
E peguei na caneta, como antes fazia.
Procurei palavras para pôr nesta folha,
Mas, escolher palavras, que difícil escolha!
Parecem tão pálidas e tão apagadas
Se comparadas
Com a nossa união…
Por isso te peço perdão:
Não sou capaz de escrever qualquer poesia
Que ultrapasse estes doze anos de amor e de alegria!
18/2/2006
Y
NO 5 DE NOVEMBRO DE 2005
No meio da serra,
Tão perto do mar,
Não sei se é o vento,
Se estou a voar!
No meio da serra,
Tão perto do mar,
Não sei se é um pássaro,
Se és tu a cantar!
No meio da serra,
Tão perto do mar,
Faz hoje doze anos,
Pensámos casar!
No meio da serra,
Tão perto do mar,
É dia de rir,
Cantar e bailar!
No meio da serra,
Tão perto do mar,
É dia de festa,
Vamos festejar!
5/11/2005
Y
NO 9 DE AGOSTO DE 2005
Passam dias e semanas,
Passam meses, passam anos.
Quanto mais o tempo passa
Mais juntos nós caminhamos!
Hoje é outro Aniversário,
Dou-te aqui os Parabéns!
Quanto mais o tempo passa
Menos idade tu tens!
Passam meses, pasam anos,
E o tempo vai-nos polindo.
Quanto mais o tempo passa
Mais o nosso amor é lindo!
Passe o tempo que passar
Não tenho mais que um desejo:
Cavalgar contigo o tempo,
Sempre num eterno beijo.
8/8/2005
Y
ONZE ANOS DE CASADOS
Por todo o lado o mesmo clamor:
Falam em tédio e rotina,
Que o casamento é o fim do amor,
E que a paixão é breve e repentina.
O nosso casamento, baixinho, murmura,
Diz-lhes ao ouvido que estão enganados,
Que a paixão pode durar, e que perdura
Onze anos passados.
Clarão da luz do dia mais brilhante,
Relâmpagos na noite mais intensos,
Presença de um no outro mais constante,
Espaços de paz mais e mais extensos.
O carreiro que partiu da noite escura
Já se tornou luminosa avenida.
Valeu a pena a nossa jura
De sermos um do outro toda a vida!
18/2/2005
Y
ANEL DE ESTRELAS
O dia mais feliz da tua vida
Foi também o meu dia mais feliz.
Pedi-te para seres a minha esposa,
Disseste-me que sim.
No anel que pus na tua mão
Brilhavam sete estrelas irreais.
Eram estrelas de um mundo tão longínquo…
Eram sóis em busca de uma Terra.
E tu foste a minha Terra Prometida
E eu quero ser o sol que te dá luz.
E vamos juntos no mar das cósmicas poeiras
Em busca dos confins do universo.
5/11/2004
Y
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